Feiras científicas: amarando os fios da teia - 04/10/2016
Feiras
científicas: amarando os fios da teia*
Em um
prazo de menos de dois meses foram promovidos eventos na Unifae e Unesp sobre
os quais falei no último artigo. Na segunda metade do mês de outubro acontecerá
o Encontro Sanjoanense de Engenharia e Tecnologia na Unesp, e teremos ainda a
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Instituto Federal. Nas duas últimas
semanas a Unifeob também empreendeu uma série de iniciativas que atraíram os
olhares da população para o ambiente universitário, entre elas o 9o
Engrene (Encontro dos Graduandos da Escola de Negócios) que ofereceu desde
palestra sobre energia fotovoltaica até patentes e proteção de softwares, a
SEMAVET (Semana da Medicina Veterinária), a Feira de Profissões e mais uma
série de oficinas preparatórias para atividades de iniciação científica. Nenhum
deles é inédito, marcam um período do ano sempre propício para a reflexão sobre
o papel das universidades em nossa cidade. Estes tipos de eventos tanto leva um
pesquisador a saber sobre o que os outros pesquisadores estão trabalhando, como
trazalunos universitários ou de ensino médio para o universo da pesquisa.
Quando temos em
um município dois centros universitários locais muito tradicionais como o são
Unifeob e Unifae, mais um Instituto Federal e uma Unesp, temos com elas uma
multidão de professores/pesquisadores de alto nível que oferecem tanto para
nosso meio acadêmico quanto para o setor produtivo local um leque gigantesco de
temas de pesquisa e, por tabela, soluções para
o setor produtivo local. Quando um pesquisador sabe o que o outro faz e,
principalmente, eles sentam para conversar sobre ciência e tecnologia,
incontáveis outros temas aparecem, sendo assim, este tipo de evento multiplica
a riqueza de nosso ambiente de inovação, e não apenas o apresenta ao público,
mas interconecta todas as pontas necessárias a um ambiente de inovação saudável
e funcional de forma trans epistêmicatraduzindo as diferentes linguagens
científicas tal qual aponta o sociólogo francês Bruno Latour.
Igualmente,
este papel de imergir o jovem na pesquisa científica e tecnológica não serve
apenas para ajudá-lo a escolher qual área cursará, ou qual faculdade: estimula
uma série de dúvidas boas, pois as opções se tornam infinitas. Não estou me
referindo às opções de cursos, mas ao leque de possibilidades que cada curso
proporciona, por exemplo, não se trata de escolher entre Engenharia da
Computação, Automação, Agronômica ou de Telecomunicações, mas a infinidade de
alternativas que cada uma oferece. Importante visualizar a potencialidade que
se daria ao universo de pesquisa científica se tivéssemos várias engenharias
trabalhando juntas, com estudantes vinculados a grupos de pesquisa de mais de
um campus, bem como das demais áreas.
Temos este
período extremamente frutífero há alguns anos, e com o calor do debate sobre o
Polo de Tecnologia espero que os vários fios soltos de nossa teia de inovação
comecem a ser amarrados (ou, pelo menos, serem percebidos como parte
fundamental). Mais que isso, é preciso que se promova uma interação
universitária para otimizarmos os resultados destes eventos. É sabido que estes
eventos ocorrem em larga medida para a divulgação institucional, porém, podem
sim ampliar a finalidade destes e construir oportunidades de integração direta
ou indireta; mesmo que não seja por cooperação mas competição, afinal,
adversários também interagem, elaboram e obedecem regras comuns.
* Publicado originalmente no site do jornal O Município em 04/10/2016
